Minha História - Cristina Florentino

Minha História

Vou te contar um pouco da minha história, pois é base desse trabalho e espero que ela possa te inspirar.

Quando tinha 17 anos iniciei os caminhos do yoga e meditação. Apesar de cursar engenharia química na época, praticava a Swasti Yoga e foi a partir dos 22 anos, no Raja Yoga, que vivi como monja por 7 anos. Acordava todos os dias às 3:30 da manhã para meditar, dava aulas voluntárias de meditação e viajava para Índia para aprofundar as práticas.

Foram anos maravilhosos, tive experiências incríveis, muitas vezes me sentia pura luz, outras vezes tinha a sensação de não tocar o chão com os pés depois de 8 horas ininterruptas de meditação. Me sentia como se fosse um anjo.

Celibatária, vegetariana, desapegada do meu corpo físico e dos bens materiais, minha vida era meditar e ensinar pessoas a meditarem. Minha relação de amor era com Deus.

 

Bem, depois de 7 anos percebi que a subida na espiral chegava a um limite. Eu não conseguia avançar mais.

 

  • O que estava acontecendo? perguntava a mim mesma.

Estava seguindo a disciplina sugerida, fazia tudo certo, mas mas algumas coisas começaram a ficar confusas dentro de mim, por exemplo, quando ia visitar meus pais, me sentia mal. Por que eu sentia aquele desconforto?

Um dos desconfortos era que eu não comia a comida feita por eles, na época eu a considerava não adequada para mim, por ser vegetariana, além disso, os via como pequenos, como crianças que precisavam de ajuda. A partir do meu ponto de vista, eles não se alimentavam corretamente, tomavam refrigerante, comiam carne, açúcar e assistiam programas na TV que eu não achava adequados. Eu era, sem dúvida, “a chata dos sermões”.

Eu os criticava por serem como eram, os julgava, me sentia muito maior e melhor do que eles.

Como eu podia me comportar daquela forma, com tanto julgamento e crítica e, ao mesmo tempo, ter experiências de tanta expansão de consciência na meditação? Tinha algo de errado comigo. Às vezes eu me sentia uma fraude! Minha sombra começou a transbordar e eu não sabia o que fazer com aquilo, com o tempo fui percebendo o tamanho da minha arrogância.

 

Fui me dando conta que o lugar que eu ocupava na minha família era o lugar que eu ocupava na vida! Inclusive na vida espiritual!

Comecei a perceber que a minha postura em relação aos meus pais era bem parecida com a postura que eu adotava em relação aos meus amigos. Eu me achava melhor, queria mostrar a verdade para todos, tinha pena das pessoas que não tinham encontrado o “meu” caminho espiritual.

Eu acreditava que havia sido uma das escolhidas para salvar o mundo! Quando, na verdade, estava tentando salvar meus pais.

Carregava um peso muito grande. O problema não estava no caminho espiritual, mas no lugar interno que eu ocupava em relação ao caminho.

Minha relação com o dinheiro era de desapego, ganhava o mínimo para sobreviver e pagar as viagens para a Índia. O meu sonho era morar em uma comunidade.

No caminho espiritual eu era cindida com o corpo, ele não era importante, somente a alma importava. Deixei meus pelos crescerem, meu cabelo era uma palha cuidada por Deus. Só usava roupas brancas, tinha um chinelo, um tênis e um sapato. Não frequentava shoppings, cinema, teatro e nem assistia à TV. Por alguns anos essa experiência foi incrível e eu indico para todos! Acordar todos os dias cedo para meditar, viver uma vida simples, focar na vida interior e em nossas qualidades, ainda carrego os frutos desses anos em minha vida.

Na rotina da vida espiritual comecei a ficar muito próxima de um amigo monge, na época não era uma atitude aconselhável pela escola de meditação para que não caíssemos na tentação da carne.

E foi exatamente o que aconteceu! Fomos ficando muito próximos e nos apaixonamos.

O conflito se estabeleceu, afinal não era possível viver as duas paixões ao mesmo tempo, precisávamos escolher entre a vida espiritual e a vida comum. Foi um grande desafio parar e pensar com lucidez, o fogo da paixão era tão grande que parecia impossível parar e pensar de uma forma lógica e racional.

Tentamos evitar os sentimentos explosivos por um tempo, mas acabamos nos rendendo ao fogo da paixão humana e engravidei!!!

É isso mesmo…. nós monges de repente engravidamos!

E agora? Casar e ter filho? Isso estava totalmente fora dos planos conscientes.

Sabe aquelas surpresas da vida? Nos vimos sem chão! Foi bastante difícil aceitar a decisão que uma parte de nós escolheu, sem nos consultar!

Entramos em crise. E ela nos mostrou que algo precisava mudar. Ela estava sacudindo nossas velhas crenças e foi incrível perceber que, se não mudamos de forma voluntária, nosso inconsciente dá um jeito de mudar involuntariamente, só que nesse caso, a experiência é muito mais dolorosa.

Hoje, tenho certeza que fomos movidos por algo muito maior que nosso ego pessoal, e nosso filho, Luan Vizotto, precisava vir dessa forma, a alma dele também faria seus aprendizados com essa aterrissagem um tanto turbulenta.

Decidimos aceitar o desafio que se apresentava na nossa frente: Vivenciar a espiritualidade através da família.

Parece simples. Mas uma parte minha sofria muito – Como abandonar aquela vida monástica que eu havia sonhado para mim? Eu não tinha o sonho de casar e ter filhos. E as minhas viagens para a Índia? Foi um choque de realidade e um convite para desenvolver humildade!!

 

Nessas horas, apesar de não nos darmos conta, existe uma força maior que nos guia, e sem que possamos saber se haverá chão, pulamos no escuro, confiando no melhor da vida.

Me casei com o ex-monge, Fábio Vizotto, pai de nosso primeiro filho Luan. A família literalmente me fisgou e, de repente, eu me vi casada e com filho!! E agora??

 

Agora, mãos à obra! Se esse é o desafio, vamos enfrentá-lo. Comecei a fazer muitas coisas,entre elas, terapia. Estudar desenvolvimento infantil, aprender a ser mãe, esposa, fazer sexo sem culpa, ganhar dinheiro, estudar antroposofia (pedagogia waldorf), iniciar a faculdade de psicologia e, logo em seguida, Constelação Familiar, Pathwork e muitas outras formações. Eu nem sabia que ali nascia o trabalho que realizo hoje!

Nesse meio tempo, junto com mais 3 casais de amigos, fundamos a Escola Waldorf Veredas, em Campinas, interior de São Paulo.

Só bem mais tarde, depois de muitos anos de terapia, autoconhecimento e autotransformação, percebi que a consciência divina sempre esteve comigo, pois o meu caminho espiritual seria através da família. Simplesmente aprendi a agradecer profundamente tudo o que aconteceu!

 

Aprendi ver o sagrado nas pequenas coisas. Meu feminino desabrochou e comecei a trilhar a montanha mais alta da minha vida!!

Descobri que, para mim, ser mãe e esposa, era infinitamente mais desafiador do que ser monja! Foram tantos aprendizados! Criei a empresa Berços da Vida, uma escola de pais, mergulhei tão profundamente na maternidade que, depois de 6 anos, decidimos ter a Mariah, nossa segunda filha, mas agora através de um novo lugar, uma escolha consciente. A família cresceu e os aprendizados não paravam, pois a, relação de casal também era um desafio para mim, e você entenderá melhor lendo o trecho abaixo.

 

OS LUGARES DE AUTOENGANO QUE OCUPEI NO CAMINHO

Na família de origem (pais e irmãos), percebi que eu ocupava o lugar de mãe da minha mãe. Me sentia melhor e maior do que ela. Muitas vezes sentia que minha mãe não dava conta de cuidar dela mesma, na minha percepção, minha mãe era uma criança que precisava ser guiada.

Muitas vezes, quando havia um problema familiar era para mim, que ela ligava. Ela era muito doente e se queixava da sobrecarga, de não receber apoio e os médicos muitas vezes erravam com ela. A partir da minha percepção, a crença da minha mãe era que a vida estava contra ela. Ao ouvir suas queixas e lamentações eu ficava muito irritada, sem paciência. Afinal, se ela não se cuidasse, quem, no fundo, cuidaria de mim? Essa era a fala da minha criança interna. A adulta se irritava.

Percebi que além de me colocar no lugar de mãe da minha mãe, meu comportamento na família, a que eu estava constituindo com Fábio, era parecido com o dela. Também me sentia sobrecarregada, era viciada no fazer, queria ser perfeita e muitas vezes me sentia vítima das circunstâncias.

Quanto ao meu pai nosso relacionamento era péssimo, não havia diálogo. Na minha infância ele era agressivo, fechado e rígido e, ao mesmo tempo, apresentava uma fragilidade em relação à minha mãe. No meu mapa familiar as mulheres eram fortes e os homens eram frágeis, apesar de agressivos. Eram as mulheres que tomavam as decisões.

O lugar de auto-engano com meu pai foi o de achar que eu era melhor que ele, que teria um marido melhor do que ele e a agressividade que recebi na infância e adolescência se virou contra ele, eu mantive uma distância imensa do meu pai por muitos anos.

 

Percebi que fui me tornando fechada e rígida, parecida com ele.

Na vida monástica, havia perdido de vista, as pessoas em detrimento dos meus ideais filosóficos. Nisso, sinto uma afinidade muito grande com Bert Hellinger, que chegou à mesma conclusão na época em que era missionário católico na África.

Em  sua autobiografia, ele nos conta que depois que percebeu sua posição nunca mais colocou ideais na frente das pessoas. Quando percebi que essa era exatamente a minha posição, fui me despedindo da vida monástica, porque mesmo depois de casada, ainda insistimos por mais 3 anos na vida de monge e ainda fui para Índia mais 2 vezes, a primeira foi quando Luan tinha 1 ano, e esse foi um dos maiores arrependimentos da minha vida. A segunda vez, Luan tinha 3 anos e essa foi a minha despedida final da vida monástica. Com o tempo, fui assumindo cada vez mais a maternidade e o casamento. Esses se tornaram as minhas maiores escolas.

No meu relacionamento com Fábio, bem, os desafios continuam… e isso é muito bom! Casamento é uma oportunidade singular para nossa evolução pessoal.

Na etapa da vida que estamos, com filhos crescidos, família estabelecida, o amor continua pulsando, tocando em notas mais suaves e o crescimento pessoal,  através da relação, é interminável. Eu realmente aprendi a gostar de estar casada e ser mãe, tanto que, se um gênio aparecesse na minha frente hoje e me concedesse um desejo, eu pediria: quero voltar no tempo e ter mais um filho, entre Luan e Mariah.

 

 

Quem diria, para mim a família, hoje, é um caminho de iniciação!

 

UM NOVO LUGAR NO CAMINHO

Os lugares de autoengano me foram sendo revelados de acordo com meu desenvolvimento pessoal e no ritmo das diversas formações que fiz ao longo da vida, sendo elas: Psicologia – enquanto cursando psicologia iniciei meus estudos na Antroposofia e ao terminar a faculdade iniciei a formação em Constelação Familiar e a formação em Pathwork.

Quando Mariah nasceu eu tinha 33 anos e finalizei a faculdade aos 35. Comecei a clinicar como psicóloga aos 36 anos, mas já atendia como terapeuta desde os 23.

A ferramenta antroposófica de autoinvestigação, conhecida como biográfico, foi um divisor de águas na minha vida. Participei desse processo quando eu tinha 29 anos e foi nele que decidi cursar psicologia. Percebi que esse era meu talento natural e que a vida me pedia essa profissão.

A pedagogia Waldorf me ensinou a ser mãe. Para mim essa é a pedagogia do futuro. Na época, vesti a camisa, fiz a formação de pedagogia Waldorf e curativa, repetindo muitos módulos 3 vezes. Foi com muito entusiasmo que junto com 3 casais de amigos fundamos uma escola, que hoje tem fila de espera de 3 anos. Sou muito grata à Antroposofia. Realmente esses ensinamentos me levantaram do grande tombo que eu parecia ter levado.

A Constelação Familiar veio como um bálsamo e me salvou da minha arrogância.

Me colocar no lugar certo em relação aos meus pais mudou tudo! Eu pequena e eles grandes. Olhar para a força do meu pai e para a força dos homens da minha família foi curativo. Dizer para meu pai que ele era o pai certo para mim, que eu tive sorte de tê-lo como pai, foi uma grande liberação.

Ver a força saudável da minha mãe, sua amorosidade e capacidade de doação foi maravilhoso. Sair do lugar de mãe dela e me colocar no lugar de filha me deu muita força de vida. Aceitá-los exatamente como são, me despedir das queixas e mágoas, sair da postura infantil exigente e olhar para a grandeza e humanidade deles com respeito foi absurdamente liberador.

 

Tomar os pais foi um exercício que passou a fazer parte das minhas práticas espirituais. Tomar a vida que chegou a mim através deles, agradecer, honrar e pedir as bençãos, foi transformador.

Hoje, tenho uma relação maravilhosa com meu pai. Nós conversamos e já colecionamos muitos momentos preciosos de conexão. Ele adora vir na minha casa e cuidar da horta, muitas vezes faz alguns reparos na casa, coisas de pai!

Minha mãe é uma figura, damos muitas risadas! Ela está sempre costurando coisas para mim, me sinto muito cuidada pelos dois, aliás eles sempre cuidaram, mas eu não podia receber o amor deles e por isso não percebia!

Descobri que para receber o amor dos pais é preciso baixar a cabeça, se colocar no lugar de filho, tomar a vida que recebemos deles, assim como nos foi dada, essa lição eu fiz direito! Hoje colho os frutos!

Percebi que minha conexão com Deus, da época monástica, assim como a de Bert Hellinger com o Deus dele, pulava a conexão com os pais. Os ideiais religiosos também estavam à frente da relação com a família. Como se pudéssemos ir muito longe para não lidar com o que estava tão perto. Hoje, sei que não é possível esse atalho. A conexão com os pais é parada obrigatória no caminho rumo à conexão com Deus.

O Pathwork chegou na minha vida para complementar o trabalho familiar, o mergulho agora seria na minha história de vida. Perceber e transformar meus traumas, conhecer as feridas da minha criança, as defesas que ela estruturou para sobreviver. Tomar consciência das minhas diferentes partes internas.

Olhar e integrar a minha sombra foi uma das maiores contribuições deste trabalho. O Pathwork é um caminho absolutamente profundo, nos convida a olhar para o nosso pior e para o nosso melhor e colocá-los um de frente para o outro.

Com o Pathwork aprendi a ser mais autêntica, aceitar minhas imperfeições, reconhecer o poder que existe na minha vulnerabilidade, pedir ajuda, relaxar e me entregar aos sentimentos que precisam ser sentidos.

É importante citar e dar um lugar aqui para a formação que fiz entre a Constelação e o Pathwork, que também foi um divisor de águas na minha vida, a DEP – Dinâmica energética do Psiquismo. A formação durou 4 anos. O trabalho era totalmente corporal, o que foi muito importante para integrar a cisão que existia entre meu corpo, mente e emoções. Nesse período, estudei e pratiquei técnicas de integração dos diferentes níveis de consciência e experimentei tornar-me um canal de ressonância com esses diferentes níveis de consciência.

Sou absolutamente apaixonada por estudar o ser humano. Nunca parei de fazer cursos. Sou capacitada nas técnicas mais modernas para dessensibilização de traumas e mudanças de crenças. São elas o EMDR e o Brainspotting. Essas técnicas também me ajudaram muito a integrar traumas intrauterinos. Assim como a formação do renascimento, técnica de integração de traumas via respiração continuada, além das formações em Hipnose Ericksoniana. Adoro utilizar essas técnicas no atendimento individual.

Agora estou iniciando uma nova formação em decodificação biológica. Essa é a novidade. Tudo isso para te atender da melhor forma e poder contribuir com a sua mudança da forma mais efetiva possível!

 

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